terça-feira, 15 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Cansaço
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Foto: Sebastião Salgado |
Abrupta saudade,
Anseio da querência da boca
Da carência, da saliência,
Do que há de louca.
Da pele que repele,
Da renúncia que requere
A paciência que revele.
Poento aos anseios
Da minha liberdade,
Constatei veracidade
Que se reflete em quimeras,
No instante que deveras,
Na languidez da minha idade.
Dentro do que pedi, perdi,
O que já tinha, e quiçá ser minha,
Pois não bastou o que me oferecia.
Sedento permaneço, e ofereço
O sábio silêncio, que me afaga,
Que adormeço.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Alvorada
Foto: Henri Cartier Bresson |
Teimei em teu cuidado
E vi brotar a distância do teu querer.
Da dor do meu engano
Nasceu em ti o viés do entanto.
Sem mais angústias
Ou meu lamento,
O outro enfim,
Se fez atento.
Versado em me punir,
Inverti o meu sossego
Brutalmente ao que foi chama,
Aos antagonismos de quem ama,
Da flacidez, muscular do peito.
O que muito deleito
Não é mais do que agora,
Sementes que plantei outrora,
Nasceu o sim, no céu d’aurora.
Entre as vírgulas
Que compõe meu leito,
Não me julgues ao que é direito,
Na inconstância é que me deito.
De tudo que for contra o contrário,
Suspeito.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Pensei em ti
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Foto: Henri Cartier Bresson |
A intensidade com que duvidas,
Também é sentida em teu olhar.
O que farei se não acreditar
Que em ti projetei a minha querência,
Até e então minha carência
De uma dia ao teu lado repousar?
Não fragmentei o que sou,
Nem lá ou aqui,
Sou apenas o que vivi,
E talvez até, de fato,
Esqueci de notar.
O âmbito em que te encontro,
Transformou-se em um novo ponto
Do que resume meu encanto.
E dele irei vibrar, me refazer, me deleitar
Quando fizer-me beber do teu sentido,
Dando-me teus olhos e ouvidos.
Embriagando-me,
Ao que prezamos tanto,
Exauridos ao pranto,
Dentro do meu viés te garanto,
Seguro sou, ao que pensar.
Permitir-se-á ao que já deveras ser seu?
terça-feira, 1 de março de 2011
Minh' Alma
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Foto: Henri Cartier Bresson |
Semblante de alegria
Pairaria em meio às tempestades
Das tuas dúvidas.
Ao meu descontentamento,
Quando não semeia
O viés de tua embriaguez
É que findo em talvez.
E nos instante dilatastes
Minha vontade, de vez.
Do complexo sonhador,
Superfície morta do amor,
E o que é por dentro acanhada,
Jamais valeria ser, ao ter, o que é nada.
Placidez que distante limitou-se
Dilui a Lucidez, que não refez,
Nenhuma vez, o que ceifou como foice.
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